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“ PORQUE CRIAR UM PARQUE AMBIENTAL ‘INÚTIL’ ?

Por: Gilberto Rocha Filho, morador e apoiador da Frente Socioambiental de Pedro Leopoldo | Minas Gerais | Brasil – 13 de Setembro 2020.

Quem se aventura pela estrada da Cachoeira do Urubu num dia de calor, pode já ter visto essa cena. Centenas de carros e motos, tentando entrar nesse agradável balneário, provocando até engarrafamentos pela rodovia. A vontade dessa pequena multidão de ávidos frequentadores, chamou a atenção de vários comerciantes da região, que inauguraram empreendimentos do tipo ‘pesque e pague’, além de bares e restaurantes rurais. Quem percorre a pista de atletismo da estrada que leva até a Santo Antônio da Barra, seja de manhã, tarde ou noite, também já visualizou essa cena: muitas e muitas pessoas, caminhando, correndo, andando de patins e skate, fazendo ciclismo ou até se exercitando nas pracinhas próximas. Quem estiver caminhando pelas ruas da cidade ou nas estradas da zona rural, pode se incomodar com o lixo ali jogado ou com as queimadas sufocantes. Esses observadores da realidade podem perceber que as garrafas pet abandonadas, entopem os bueiros ou servem de criatório para mosquitos, como os da dengue. Podem notar que as queimadas fazem muito mal para a saúde de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, além de matar árvores e destruir a casa onde moram animais, como aves e pequenos mamíferos. E o que esses grupos de pessoas, aparentemente tão diferentes, têm em comum? Todos estão em busca de praticar esportes? Sim! Mas antes de tudo, mesmo que inconscientemente, estão todos à procura de contato com a natureza. TODOS os moradores da cidade estão precisando, no fundo, no fundo, de parques ambientais. Estão necessitando de contato com árvores; querem respirar ar puro; querem se refrescar em águas limpas. Desejam sentir o prazer de observar animais silvestres e pássaros, desfilando por entre vegetações e campos. Querem poder se refrescar à sombra generosa das árvores, conversando, divertindo-se, fazendo piqueniques com suas famílias e amigos. Essa busca por contato com o que chamamos de ‘áreas verdes’ se acentua com a chegada do calor. Porque estamos vivendo num planeta, onde se cortam tantas árvores por motivos banais e, as florestas, a todo instante se transformam em carvão. Porque não estamos mais vivendo sob a égide do ‘efeito estufa’. Não, caro leitor, ele já foi ultrapassado e substituído por sua versão mais atualizada: o ‘efeito forno’. Daí a ansiedade com que muitos acorrem aos balneários da cidade nos dias de calor (cada dia mais frequentes e intensos), superlotando-os. Nesse contexto, Pedro Leopoldo se vê às voltas com o embate entre os que querem a instalação urgente do ‘Parque do Sobrado’ e aqueles que trabalham arduamente pela mudança das leis, que permitirão que a área verde do entorno, conhecida como ‘zona de amortecimento’, possa ser transformada. A Câmara de vereadores de Pedro Leopoldo se articula para fazer uma audiência pública sem a presença do público, na pressa de alterar a legislação, no apagar das luzes dessa legislatura. A alegação oficial para a não participação popular presencial porque há uma pandemia em curso, ofusca uma questão fundamental: esse assunto precisa ser discutido ouvindo-se os ambientalistas e todas as pessoas que amam a natureza e que querem que a vida na Terra não se extinga. A sociedade precisa ser ouvida e se manifestar fortemente em defesa desse parque. Lá estão muitas das árvores que precisamos. São as áreas verdes que os animais silvestres, cada vez mais raros, necessitam, para poderem se abrigar e reproduzir. Lá é berço de dezenas de pequenas nascentes de cursos d’água, tão necessários para uma terra cada dia mais sedenta e quente. São águas que podem nos fazer muita falta em pouquíssimo tempo. As pessoas estão se dando conta

que nossos rios, como o Ribeirão do Urubu, estão morrendo silenciosamente em lenta agonia, de sede, por destruição de suas margens, e por se tornarem depósito de lixos e esgotos? Mas para que um parque ambiental aqui na terra de Luzia? Nossa cidade já não possui muitas fazendas ao redor? Sim, é fato. Como também é fato que essas áreas são particulares e a cada dia que passa, são divididas e transformadas em pequenos loteamentos, onde mais árvores são cortadas. A própria Fazenda Modelo, área verde mais próxima de ser uma área verde pública, no centro da nossa cidade, sofre com o assédio constante dos que querem utilizar suas terras para qualquer empreendimento que a cidade necessite. Ela deveria ser antes de tudo protegida, arborizada, reflorestada para ser o pulmão refrigerado da nossa cidade. Você sabe onde está localizado o ‘Parque da Biquinha’? E o ‘Parque do Capão’? E o ‘Parque do Andyara’? E o ‘ Refúgio estadual de vida silvestre Serra das Aroeiras’? E o ‘Parque do Sumidouro’? E a ‘Reserva da Intercement’? Nossa cidade tem ‘no papel’, muitas reservas ambientais. Mas como não há muito conhecimento pelas pessoas, parece não despertar interesse político em sua implementação, na prática. É por esse motivo que, apelamos publicamente aos vereadores de Pedro Leopoldo: trabalhem arduamente pela viabilização do ‘Parque do Sobrado’ (e desses outros parques também)! Porque embora legalmente implantado, ele carece de investimentos para sua gestão e funcionamento. A alteração da ‘zona de amortecimento’ pode ser um risco à vida silvestre do parque tão grande, quanto o comparado ao fogo que ali é ateado, com frequência criminosa. Façam a audiência pública ouvindo também a ambientalistas e as pessoas da comunidade que querem o meio ambiente por inteiro! A ideia de se alterar a lei municipal colide frontalmente com uma lei maior, a legislação estadual que criou o parque e acreditamos que só seria viável, se as alterações forem utilizadas para ampliar a proteção dessa área ambiental vital. Estamos lutando pela manutenção da ‘zona de amortecimento’ do ‘Parque do Sobrado’: apoiem essa iniciativa pelo ‘Bem Comum’, de pessoas, de riachos, de plantas e do Planeta! E adotando o lema dos trabalhadores da saúde pública no enfrentamento da pandemia, ousamos repetir: ‘Nenhuma vida (animal ou vegetal) a menos! ’






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